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Os Monstros Com Sagrados, de Roland Dubillard

Monstros com Sagrados reúne alguns dos melhores textos apresentados nos anteriores espectáculos da dupla Filipe Crawford e Rui Paulo, traduzidos e adaptados livremente da obra de Roland Dubillard Les Diablogues.

Em 1996 estreava o primeiro espectáculo da série, Monstros Sagrados no Teatro da Comuna em Lisboa. Este espectáculo deu a conhecer pela pri-meira vez em Portugal o teatro de Roland Dubillard, mestre do teatro do absurdo francês. Seguiram-se Monstros em Cuecas estreado em 1998 no Teatro Maria Matos em Lisboa, estreia que contou com a presença do autor, e por último, Monstros III – O Regresso! estreado em 2000 no Teatro Casa da Comédia em Lisboa.

A recolha agora apresentada em Monstros com Sagrados reúne textos dos três espectáculos, numa tentativa de apresentar os melhores momentos de cada espectáculo. O resultado final corresponde a um best off ou, se preferi-rem, uma colheita especial destes Monstros que desde 1996 já percorreram a maioria dos palcos portugueses de Norte a Sul do País. Ele proporcionará a quem não nos conhece a oportunidade de mergulhar no humor de Dubil-lard e aos que nos conhecem a possibilidade de actualizar e rever alguns dos seus mais hilariantes sketchs.

Desta vez os Monstros, depois das notícias de Última Hora, iniciam a sua actuação com uma Fábula, representam-nos em seguida um excerto de uma Tragédia Clássica, recordam um Monstro Sagrado e ficam À Espera de Grouchy. Depois de comporem Música de Armário ela faz um Monólogo, segue-se uma partida de Pingue-pongue e os monstros enchem-se de Nos-talgia. Chega então a hora da Limpeza de Chaminé e para acabar o famoso Mergulho no Tejo, mas haverá tempo ainda para recapitular tudo, na Coda.

Roland Dubillard

A comicidade e a invenção poética, tão frequentemente ausentes do teatro de vanguarda, dão à obra de Roland Dubillard um lugar privilegiado no repertório dramático contemporâneo. Tanto nos seus poemas como nas suas peças, conse-gue captar a atenção através de uma arte especial do exercício de estilo, onde o cómico e o delírio verbal se bastam a si próprios. Nascido em Paris em 1923, Roland Dubillard obtém uma licenciatura em filosofia e faz a sua aprendizagem de actor e de autor dramático nos grupos de teatro universitário. Escreve muitas peças para a rádio, a televisão e os «cabarets». Em 1953, o Théâtre de Babylone cria «Si Camille me voyait!». Em 1956, Dubillard escreve e interpreta uma série de «sketches» radiofónicos de um humor ingénuo e desopilante: «Grégoire et Amédée». «Naves Hirondelles», criada em 1961, alcança um sucesso que vai classificar o seu autor entre a nova geração do teatro de vanguarda. «La Maison d'Os», criada em 1962, no Théátre de Lutéce, confirmará esta promoção. Em 1969 «Le Jardin aux Betteraves», em 1972 «Oú Boivent les Vaches» e, em 1975, «Les Diablogues», suscitam grande interesse da crítica mas não constituem ver-dadeiros êxitos. Roland Dubillard, excelente actor, representa ele próprio todas as suas peças.

No seu ensaio sobre o teatro de vanguarda, Geneviéve Serreau afirma que Dubil-lard «ocupa um lugar á parte, neste período, mal definido, de pós-vanguarda». Os «achados» de Dubillard
possuem, com efeito, uma espécie de encanto inventivo. A sua espontaneidade desconcertante destrói com um sorriso qualquer acusação de provisório. Com uma perfeita arte da desenvoltura, consegue fazer versos tais como «O meu sofrimento está para a dor de dentes 1 como a bruma onde nos perdemos 1 está para o dente que se perdeu.»

O gosto pela linguagem extravagante, desenvolvendo a sua própria lógica até ao grau em que a inconsistência se torna fascinante, constitui a verdadeira estrutura do seu teatro. Assiste-se, em benefício de uma representação de palavras harmo-nizadas com felicidade, a uma dissolução do enredo e a uma confusão das perso-nagens. Alguns críticos pretenderam ver na «Festa verbal» um divertimento cheio de amargura sobre a destruição dos seres e das coisas. E é verdade que o combate importante se trava contra a angústia, que a angústia se encontra no cen-tro das personagens de Dubillard e que o burlesco tem por função pô-la em evi-dência, e simultaneamente fazê-la desaparecer através da fantasia das metáforas graciosas.

Talvez se possa ver nessa alegre critica do mundo em que as pessoas se angus-tiam a principal originalidade de Roland Dubillard. Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, que para mostrarem a miséria
actual apenas recorrem à pobreza do seu talento, o autor das «Naïves Hirondel-les» tem o bom gosto de dissolver o drama na farsa. Embora o riso não seja isen-to de crueldade, esta tem pelo menos o mérito da leveza: «A abelha encontra, em quem se senta em cima dela, um juiz muito severo.» A bonomia da anedota, a aparência enganosa, o jogo de palavras esboçado, um piscar de olhos verbal e uma facilidade que se impõe conseguiram sobrepor-se à miscelânea das longas dissertações acerca da impotência da linguagem.

Ficha Artística / Técnica

Tradução e encenação: Filipe Crawford
Adaptação: Filipe Crawford e Rui Paulo
Cenografia e figurinos: Conceição Ferreira
Música original: Quim Tó
Fotografia: Raul Cruz
Design cartaz e programa: Carlos Francisco
Edição do programa: Nuno Pino Custódio
Direcção técnica: Ricardo Trindade
Execução cenográfica e luminotécnica: Ricardo Trindade
Assistência técnica: Pedro Carolas
Direcção de produção: Conceição Ferreira
Produção executiva: Paula Fernandes e Teresa Rouxinol
Interpretação: Filipe Crawford e Rui Paulo

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