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Os Monstros em Cuecas, de Roland Dubillard

"Os Monstros em Cuecas" é o segundo espectáculo que fazemos, eu e o Rui Paulo, baseado em sketchs de Roland Dubillard. O primeiro chamava-se "Os Monstros Sagrados", título de um dos sketchs que o constituíam. Para este segundo espectáculo elegemos o sketch "O Mergulho", no qual aparecemos em cuecas e em "slip" e, uma vez que já tinhamos ficado conhecidos como "Os Monstros", rsolvemos adoptar para esta sequela o título "Os Monstros em Cuecas".

Se nos "Monstros Sagrados", no original "Les Diablogues", os sketches que o compunham tinham sido escritos como um bloco, já nestes "Monstros em Cuecas" fizemos uma recolha de textos que figuram na mesma edição de "Les Diablogues", com o título de "Autres Inventions à Deuz Voix", e também de textos de "Les Nouveaux Diablogues". A ordem em que estes textos são apresentados neste "Monstros em Cuecas" é uma composição nossa e segue uma lógica pragmática em função do espectáculo que pretendíamos realizar.

As personagens principais continuam a ser dois senhores de smoking que "encarnam o desencanto e a estupidez da nossa época", mas outras personagens são citadas, como a prima Paulina e o Jorge, mantendo vivo o universo de Dubillard. As situações são variadas, mas alguns temas são recorrentes, como o teatro, presente no sketch "A Tragédia Clássica" ou os criticos, no "Escritor Subterrâneo". São novas aventuras dos "Monstros", através das quais quisemos mostrar a riqueza dos textos e do humor de Dubillard, já que seria impossível apresentar a totalidade dos seus "Diablogues", à volta de cem, num espectáculo só.

Esperamos ter escolhido bem, já que a escolha era difícil, pois o prazer que nos dá a sua leitura e o prazer de dizer as palavras de Dubillard só pode verdadeiramente completar-se com o prazer da representação e com os aplausos do público.

Filipe Crawford

Os Monstros em Cuecas
de Roland Dubillard

1ªPARTE
"ÚLTIMA HORA"
"FÁBULA"
"O APERITIVO"
"TRAGÉDIA CLÁSSICA"
"OS VIZINHOS"
"O ESCRITOR SUBTERRÂNEO"
"O BOLSO E A MÃO"

2ªPARTE
"O CARRO NOVO"
"O INVERNO, O JORGE E O SEU FATO"
"NOSTALGIA"
"LIMPEZA DE CHAMINÉ"
"O LOBO DO MAR"
"O MERGULHO"

" Nós não tentamos ter graça, nós contentamo-nos em ser inteligentes e encarnar a estupidez da nossa época e o seu desencanto. " (…)

"…nós também não sabemos representar. Conversar, ainda podêmos, mas se é precizo primeiro escrevermos tudo o que temos a dizer, imagine só o trabalho! Além de que iríamos dizê-lo mal."

"…A nós o que nos caracteriza é a espontaneidade. A gente fala ao sabor da corrente."

( excertos de " Les Diablogues " - " Os Monstros Sagrados " , na adaptação portuguesa da peça de Roland Dubillard )

"…A existência, você vai, vai-se como veio, mais depressa que uma dor de cabeça e sem aspirina."

"…tem a sua memória consigo?…Sim, num pedaço de papel de jornal."

"Quem se passeia com os pés nos bolsos, acontece que pensa andar ainda, enquanto que na realidade e sem que nada o avise, já rasteja." Provérbio do Folclores Cu-de-jacto.

"…Só tenho um coração no meu bolso de corações, mas é do género pesado - é o meu coração!"

"…As pessoas ficam vexadas se as fazemos rir com coisas que não devemos dizer."

"…Bom, então se já não temos o direito de dizer estas palavras, então merda! Toma!… eu digo isto para divertir as pessoas. Para ver se as pessoas se conyinuam a divertir com isto."

(excertos dos "Monstros em Cuecas")

ROLAND DUBILLARD (Notas Biográficas)

A comicidade e a invenção poética, tão frequentemente ausentes do teatro de vanguarda, dão à obra de Roland Dubillard um lugar privilegiado no repertório dramático contemporâneo. Tanto nos seus poemas como nas suas peças, consegue captar a atenção através de uma arte especial do exercício de estilo, onde o cómico e o delírio verbal se bastam a si próprios.

Nascido em Paris em 1923, Roland dubillard obtém uma licenciatura em filosofia e faz a sua aprendizagem de actor e autor dramático nos grupos de teatro universitário. Escreve muitas peças para a rádio, a televisão e os "cabarets". Em 1953, o Théâtre de Babylone cria "Si Camille me voyait!". Em 1956, Dubillard escreve e interpreta uma série de "sketches" radiofónicos de um humor ingénuo e desopilante: "Grégoire et Amédée". "Naives Hirondelles",criada em 1961, alcança um sucesso que vai classificar o seu autor entre a nova geração do teatro de vanguarda. "La Maison d'Os", criada em 1962, no Théâtre de Lutèce, confirmará esta promoção. Em 1969 "Le Jardin aux Betteraves", em 1972 "Oú boivent les Vaches" e, em 1975, "Les Diablogues", suscitam grande interesse da crítica mas não constituem verdadeiros êxitos. Rolland Dubillard, excelente actor, representa ele próprio todas as suas peças.

No seu ensaio sobre o teatro de vanguarda, Geneviève Serreau afirma que Dubillard "ocupa um lugar à parte, neste período, mal defenido, de pós-vanguarda". Os "achados" de Dubillard possuem, com efeito, uma espécie de encanto inventivo. A sua espontaneidade desconcertante destrói com um sorriso qualquer acusação de provisório. Com uma perfeita arte da desenvoltura, consegue fazer versos tais como "O meu sofrimento está para a dor de dentes / como a bruma onde nos perdemos / está para o dente que se perdeu." O gosto pela linguagem extravagante, desenvolvendo a sua própria lógica até ao grau em que a inconsistência se torna fascinante, constitui a verdadeira estrutura do seu teatro. Assiste-se, em benefício de uma representação de palavras harmonizadas com felicidade, a uma dissolução do enredo e a uma confusão das personagens. Alguns críticos pretenderam ver na "Festa verbal" um divertimento cheio de amargura sobre a destruição dos seres e das coisas. E é verdade que o combate importante se trava contra a angústia, que a angústia se encontra no centro das personagens de Dubillard e que o burlesco tem por função pô-la em evidência, e simultâneamente fazê-la desaparecer através da fantasia das metáforas graciosas.

Talvez se possa ver nessa alegre crítica do mundo em que as pessoas se angustiam a principal originalidade de Roland Dubillard. Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, que para mostrarem a miséria actual apenas recorrem à pobreza do seu talento, oautor das "Naives Hirondelles" tem o bom gosto de dissolver o drama na farsa. Embora o riso não seja isento de crueldade, esta tem pelo menos o mérito da leveza: "A abelha encontra, em quem se senta em cima dela, um juiz muito severo." A bonomia da anedota, a aparência enganosa, o jogo de palavras esboçado, um piscar de olhos verbal e uma facilidade que se impõe conseguiram sobrepôr-se à miscelânea das longas dissertações acerca da impotência da linguagem.

(Extraído da Enciclopédia do Mundo Actual - O Teatro - de Charles-Henri Favrod, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1977)

Ficha Artística

Tradução, adaptação e encenação: Filipe Crawford; Interpretação: Filipe Crawford e Rui Paulo; Cenografia e Figurinos: Rosa Freitas; Assistência Cenográfica: Conceição Ferreira; Música Original: Quim Tó; Banda Sonora: Rui Paulo e Quim Tó; Fotografia do Cartaz: Roberto Giostra; Grafismo: Sofia Pedroso; Vídeo: Mafalda Barreto; Luminotecnia: Ricardo Trindade; Sonoplastia: Carlos Oliveira; Produção Executiva: Conceição Ferreira; Apoio à Divulgação: Luz da Camara

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